É isso!
Abri os olhos e me levantei como um náufrago que emerge do mar.

Sentada, ainda na cama, senti o peito subir e descer sem parar.
A respiração assobiava como um vento forte antes da tempestade.

Era a resposta que pedi.

A mensagem

Na noite anterior, depois de agradecer, sussurrei um pedido a Deus. E sua resposta veio clara e cristalina, como um calmo mar azul de um dia de sol.

E, para não deixar dúvidas, a vida imprimiu um retrato na minha mente, um fechamento para a mensagem que acabara de receber.

A imagem que iluminava minha noite vinha da minha própria história.

Havia uma criança sentada em frente a uma pequena árvore.
Seus pés brincavam no gramado.
Ao seu lado, um cachorrinho branco e caramelo, com a língua de fora, seguia com a cabeça cada movimento da criança que brincava com os raios do sol.

O sol brilhava forte e pintava de rosa a pele alva do dono do sorriso falhado pela falta dos dentes entregues à fada que traz presentes.

Suas mãos pequeninas seguravam um objeto transparente, posicionando-o entre o sol e a folha da árvore deitada sobre a grama. A criança observava saltitante sua arte tomar vida, entre gargalhadas altas, enquanto o seu fiel escudeiro latia e abanava o rabinho!

De repente, ouvi um sonoro:
_Mããããeeeeeee!!

Corri ao encontro do meu menino. Quando parei ao seu lado, Cauã virou seu rostinho molhado de gotinhas de suor e falou com os olhos e os dentes brilhando de pura sapequice:
_Olha isso, mãe! Está pegando fogo!

No quarto escuro, a imagem do meu filho cedeu espaço para sua observação final:
“A luz queima. A luz queima, mãe!”

A voz doce do meu pequeno ecoava suas palavras na minha cabeça até que, finalmente, compreendi.

Abaixei a cabeça e sussurrei:
_Obrigada, Deus, pela resposta.

No âmago, reconhecia que acabara de receber um presente do céu, como o agricultor que vê a plantação ser irrigada de chuva fresca depois de dias de calor e seca.


A pergunta

De manhã, olhei o celular, uma mensagem de uma amiga:
Oi, Lu! Como você está? O que você está planejando para esse ano?

Ao pensar na resposta, minha mente deu um looping no fundo dos pensamentos ainda impactados pelo sonho.

Por que o novo é tão sedutor?

Novos projetos.
Novos cursos.
Novas ideias.
Novas metas.

Mas, quanto mais eu amadureço, mais eu percebo que o verdadeiro segredo do sucesso, principalmente depois dos filhos, não é adicionar.
É escolher o que realmente importa e cortar o resto.

A verdade é que crescemos admirando a luta.
A frase “matar um leão por dia” soa tão admirável.

Mas, ultimamente, tenho pensado diferente.

Talvez o desafio não seja matar leões.
Mas sim salvar o leão cansado aqui de dentro.

Salvar este coração de leão sobrecarregado que tenta dar conta de tudo... sem dar.


O sonho com a Juliana

Essa semana, tive um sonho. Parecia um filme em que eu assistia a mim mesma como protagonista.

No telão, a imagem era viva.
Eu caminhava rumo à casa da Ju, minha amiga, para visitá-la.

Realmente estou com saudade dela. Naturalmente, meu sorriso se abriu quando percebi a cena.

Mas algo estava estranho e me chamou a atenção.

Embora sorrindo e brincando com tudo e todos no caminho, eu carregava tantas coisas nas costas que os joelhos tremiam e os passos se faziam devagar.

Dava aflição só de ver a quantidade de peso que me afundava os ombros e entortava as costas.

Parecia que eu estava sendo arrastada, como se estivesse presa em uma cadeira de rodas invisível.

Era desumano.

Eu não reclamava, ao contrário, parecia não ter plena noção do peso que levava. Paradoxalmente, cantarolava com leveza, enquanto tentava passar pelos desafios do caminho.

Ao assistir ao filme, me assustei. Sabia que era pesado, mas não tinha noção do tanto.

Quando alcancei a casa da Juliana, tive dificuldade até de entrar.

Com tanto peso sob as costas, qualquer pedrinha era um perigo.

Eu ocupava espaço demais.
Eu carregava estrutura demais.

Quando finalmente a vi, desabafei: “Nossa, Ju... Como foi difícil chegar aqui!”

E a Ju me disse, com a voz lógica e serena de quem enxerga o óbvio que a gente insiste em ignorar:
Lu, por que você não veio direto pelo caminho mais fácil? Você conhece o caminho. Não precisava ter se desgastado tanto assim.

No telão, eu ouvi aquela resposta navalhando as minhas entranhas:
É mesmo, Ju.
Estou com tanta coisa na cabeça… que, sem perceber, esqueci o caminho… Vim no automático e sequer lembrei que já vim tantas vezes por um caminho bem mais simples.

A Ju olhou nos meus olhos e enxergou minha alma.

Sem escutar, senti suas palavras.

Então entendi:
O peso não recai apenas sobre as costas. Ele consome nossa energia, ocupa a mente e limita nossa capacidade de decidir e prosperar.

No cinema, a tela ficou preta.

Uma legenda acendeu.

Nós normalizamos carregar peso demais.
Nós nos acostumamos a dar conta do mundo inteiro.
Nós romantizamos o excesso.

Mas cada coisa que carregamos é mais uma responsabilidade.
Mais uma preocupação.
Mais um desgaste mental.
Mais pedras no caminho.

E chega um momento em que não é só o corpo que fica limitado.
É a mente.
É a saúde.
É o futuro dos sonhos.

Um estrondo me chamou a atenção. Olhei para a tela e vi as perguntas:
Até quando eu vou continuar colocando mais coisas nas costas?
Até quando vou tentar dar conta de tudo… sem dar?


O chamado

A tela ficou preta de novo.

Doía assistir tudo aquilo.

Mas, paradoxalmente, algo se abriu dentro de mim.

Esse sonho foi mais do que uma resposta. Foi um chamado.

Um chamado para decidir.

E decidir, em sua origem, significa cortar fora.
Limpar.
Separar.

Hoje, o meu novo não é escolher o que acrescentar à vida.
É escolher o que tirar.

Porque hoje eu não posso decidir a partir da mulher que eu fui aos 20.

Com tempo de sobra.
Energia de sobra.
Poucas responsabilidades.

Eu preciso decidir a partir da mulher mãe e profissional que eu sou agora:

Tempo comprometido.
Energia limitada.
Muitos compromissos.
Muitos convites.
Muitas demandas.

Por isso, a pergunta mais importante não é “O que eu vou adicionar?”

Talvez as perguntas precisem ser outras:

O que não faz mais sentido na minha vida?
Como salvar o coração de leão cansado que eu carrego?
O que gera mais resultado com menos esforço?
O que merece, de verdade, a minha energia?

Porque o foco não é fazer mais.
É carregar menos.

E, às vezes, o caminho mais transformador não é o mais difícil.
É o mais simples.

No meio daquela discussão interna, a tela do cinema se iluminou completamente, ofuscando meus olhos.

Até que surgiu a cena do meu filho queimando as folhas com os raios de sol e uma lupa.

Era como se uma voz me dissesse:

Para a luz transformar é preciso concentrar a energia em um só lugar. Decida. Você conhece o caminho. Vá.

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O significado

Despertei com o coração acelerado, com a imagem da minha criança acesa no meu coração.

Preciso limpar minha vida para concentrar meus esforços no meu trabalho literário e ter mais tempo para me dedicar ao que realmente importa: meus filhos.

Enquanto escrevo esta carta, eu deixo a resposta que enviei à minha amiga:

“Amiga, o novo deste ano é me enxergar com os olhos de hoje.
Não adicionar, mas descarregar, mudar a forma como vivo.
Não decidir com a pressa da mocidade,
mas com a lucidez e a coragem da maturidade.

Vou passar aí para te ver. Prometo pegar o caminho mais fácil e chegar leve e renovada.

Agora, eu me volto a você que me lê com duas perguntas.

Qual é o novo que faz sentido na sua vida hoje?

Qual a decisão que você precisa tomar?

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Convite

Se você chegou até aqui, talvez tenha reconhecido algo em você.

Talvez você também esteja carregando peso demais.
Talvez esteja tentando dar conta de tudo.
Talvez esteja sentindo que precisa decidir, cortar, focar.

Foi pensando nisso que eu criei o Desafio Ação com Sentido.

Um caminho de 21 dias para te ajudar a:

  • ouvir o que realmente importa;

  • escolher o que merece sua energia;

  • organizar sua vida;

  • e começar a implementar aquilo que você vem adiando.

Não é sobre fazer mais.
É sobre concentrar a luz e fazer melhor de maneira simples.

Se essa proposta ressoa com o seu momento, clique abaixo.
Eu vou te explicar como funciona.

Desafio Ação com Sentido

Independentemente disso, te espero na próxima semana para mais uma Carta.

Com carinho,
Luana