Quando penso em Natal, uma onda luminosa de memórias me abraça deliciosamente.
Memórias emocionais, gustativas, sensoriais. Memórias únicas.
Mas, acima de tudo, memórias que me devolvem sorrisos simples e o gosto real do que é vida para mim.
Lembro de ir à loja com meus pais para escolher a árvore.
De montá-la juntos, meus pais e irmãs, no chão de ardósia da nossa sala do Parque das Gaivotas.
Lembro do arroz colorido com passas, cenoura e milho.
Da ceia servida em toalhas alegres, ornadas com os mais deliciosos pratos e guloseimas de Natal.
Lembro da sala cheia, da família reunida no culto natalino.
Lembro, sobretudo, dos encontros e reencontros.
Quando eu era criança, íamos para a casa da minha vovó Nita, em Mantenópolis, passar o Natal no interior com meus avós.
Era ali que a família paterna se reunia.
Todas as tardes, sentávamos na varanda para ouvir e rir até a barriga doer das histórias do tempo em que meu pai e meus tios moravam na roça.
No dia do Natal, íamos à missa com a vovó durante o dia e, à noite, esperávamos os presentes.
A ansiedade da espera dava lugar à alegria contagiante de receber algo só nosso.
No amigo oculto, ríamos, brincávamos, compartilhávamos histórias.
Lembro do abraço amoroso da minha vó Nita.
Dos seus olhos azuis, carinhosos e humildes.
E do requeijão que ela sempre trazia especialmente para mim.
Eu acordava cedo, com o sol entrando manso pela janela que dava para o jardim da cidade.
O fogão a lenha já estava aceso.
O estalar da lenha queimando dava um gosto especial ao café colhido na roça do vovô Lau.
Aquele aroma adocicado vinha de longe e me guiava, irresistivelmente, até a cozinha.
Ao chegar, a mesa era tentadora: broa, tareco, biscoito de polvilho e muito mais.
Tudo preparado com um amor e um perfume que encantavam aquela cozinha mineira simples e aconchegante.
A cozinha da minha vó era aberta, iluminada pelo sol e pelo grande amor da minha senhorinha.
Muitas vezes, ela desenformava o requeijão ali mesmo, na hora, tirava aquela iguaria do forno à lenha, ainda derretendo, direto para a mesa.
A gente comia até virar os olhos, batia papo, ria, gargalhava.
Depois, saía para jogar vôlei na rua.
Lembro também das férias em Jacaraípe.
O Natal já nos encontrava ali, com a família inteira reunida na sala.
Tia Celinha tocando violão.
Culto no lar. Oração à meia-noite e comilança antes e depois.
Depois, férias, bronze e brincadeiras intermináveis: detetive, “Pedro, Pedro, Paulo, Paulo”.
Todos os primos juntos.
Lembro que Digo, meu primo, construía casas de madeira no quintal.
Ele era mais velho. A gente era pequeno e não podia entrar.
E como eu queria entrar lá.
Lembro das tardes embaixo da mangueira, sentados à mesa de madeira, chupando manga, conversando, rindo.
Lembro do banho improvisado depois da praia, da banheirinha simples que virava a diversão mais incrível do mundo.
Era uma época boa.
Não tinha celular.
Mas tinha presença.
Talvez o tempo passasse mais devagar porque a gente estava inteiro nele.
E talvez essa seja a minha proposta para 2026: mais tempo, mais presença.
Mais do que os presentes, construíamos o momento.
Construíamos, juntos, o significado do amor em Cristo.
Porque Natal, além de todas as lembranças bonitas, é isso:
é o nascimento d’Aquele que veio ao mundo para nos ensinar a viver em união e plenitude.
Natal é convite ao renascimento em Cristo.
À chance de uma vida nova, ancorada em ensinamentos que seguem vivos nas Escrituras e renovados em nossos corações.
Natal é perdão.
É lembrar que os erros, as situações difíceis, os tropeços são muito menores do que o amor que nos une.
É lembrar que nenhuma escuridão é grande o suficiente para apagar a luz que habita o nosso coração.
Natal é lembrar que amamos e somos amados.
Que lembramos e somos lembrados.
Natal é dia de orar junto.
De agradecer pelo ano.
De perceber quantas bênçãos tivemos.
Hoje, penso nos meus filhos crescendo.
E me pergunto se estou trabalhando demais e curtindo de menos.
Se estou construindo para eles as mesmas memórias afetivas, gustativas e emocionais que meus pais construíram para mim.
Porque não há riqueza maior do que os relacionamentos.
Do que as histórias.
Do que as experiências compartilhadas.
Meus pais fizeram isso por mim.
E eu quero e preciso fazer isso pelos meus filhos.
Desejo a você um Natal de presença.
Um Natal de sabores que despertam memórias.
De afeto, perdão e renascimento.
De gratidão pelo que foi bom.
E de coragem para fazer diferente.
Que 2026 comece como uma nova chance.
Uma vida renovada.
Aproveitando tudo de bom que 2025 trouxe e criando dias ainda mais felizes.
Que você construa memórias.
Histórias.
Motivos para rir, gargalhar e amar.
Um Natal de bênçãos.
De renascimento.
No amor de Jesus e no aconchego de quem se ama.
Que você sinta o peso gostoso de um filho adormecido no colo depois da ceia em família.
Que ouça o riso contagiante de quem ama escapar pela casa e isso te faça abrir o sorriso sem perceber.
Que suas mãos estejam sujas de terra do quintal, de massa da cozinha, de tinta das brincadeiras.
Que seus dias tenham o sabor demorado da manga do quintal saboreada sem pressa, debaixo da sombra gostosa, compartilhada com quem você escolheu estar junto.
Com amor,
Luana
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